Frederico Varandas respondeu na terça-feira às declarações de André Villas-Boas no pós-jogo do Sporting, FC Porto, da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, que terminou com vitória leonina por 1-0. O presidente do Sporting reagiu à intenção portista de apresentar queixa contra Luis Suárez, por um gesto para as câmaras interpretado como alusão a roubo, e virou o foco para o que considera ser uma tentativa de construir uma narrativa fora do relvado.
Varandas começou por elogiar a forma como o Sporting recebeu o rival em Alvalade, garantindo que a comitiva portista foi tratada com dignidade. De seguida, criticou Villas-Boas por, na sua ótica, ter interrompido a conferência de imprensa do treinador, classificando o gesto como deselegante.
«Vou ter de falar muito do presidente do FC Porto. A deselegância, porque foi treinador, fez conferências de imprensa, e não se interrompe um treinador. Ele não quer ouvir. Quer construir-se a narrativa… Sabem porquê? Agora vamos fazer o Suárez de bode expiatório. Sabem porquê? Vejo o presidente do FC Porto com muito medo, porque é treinador. Olha para o campo e vê o que eu vejo. Acha que a equipa não chega lá para ser campeã. Este é o medo dele, jogam pouco. Processo contra o Hjulmand depois do jogo com o Aves SAD por agressão. Até o treinador de andebol levou um processo crime por ter atirado uma garrafa de água. É esta a narrativa do FC Porto. Vejo uma equipa que lidera o campeonato, mas que nem sabe como lidera e estão com medo. Então o Suárez tem de apanhar quatro jogos. ‘Tive na China’. Nessa república democrática, um país democrático. Mas perguntaram-lhe se punha vídeos a condicionar árbitros? Se calhar levava 40 jogos de castigo», prosseguiu, continuando as acusações.
Sobre os lances do jogo, insistiu que a falta apontada por Villas-Boas antes do penálti tem um intervalo significativo, “um minuto e 40 segundos”, e afirmou que a polémica em torno de Suárez surge porque o FC Porto teme que o avançado continue a jogar.
«O sr. Villas-Boas tem responsabilidade. É presidente, mas percebe muito de futebol. E vem queixar-se de um lance e do penálti que é precedido de falta. Sabem quanto tempo passou dessa falta? Um minuto e 40 segundos. O lance que fala do Pepê, no canto do lado esquerdo do ataque do Sporting… Entretanto o que aconteceu? Um minuto e 40 antes do penálti. 10 segundos do lance do Suárez, o jogo ficava decidido com um erro grosseiro, pronto, acontece. Agora já não é a expulsão que devia ter acontecido, a consequência é o Suárez que faz o gesto. Tem medo que o Suárez continue a jogar, porque joga muito e faz muitos golos. Acredito que vai-se perceber por que o Suárez fez aquilo. Se não devia ter feito? Não, mas vamos enquadrar o porquê. Quero perceber é, quantos jogos é que um clube devia apanhar por condicionar um árbitro, transmitir vídeos no balneário até dos infantis. Vamos pôr tudo na mesma balança. Que castigo devia haver para dar ordens para tirarem as bolas», acrescentou: «O presidente do FC Porto mente. É mentiroso. Mas é muito pequeno para a entidade e clube que governa. Vou-lhe voltar a dizer: não tem dimensão ética para ser dirigente de um clube da dimensão do FC Porto. Vai haver o Estugarda-FC Porto, que faça o que fez contra o Sporting», atirou.
Num tom duro, Varandas acusou o homólogo portista de “mentir” e de estar “com medo”, argumentando que o FC Porto lidera, mas “nem sabe como lidera”. As declarações prometem prolongar a tensão entre os clubes, com a arbitragem, os castigos e a comunicação a voltarem a dominar a conversa fora das quatro linhas.

