É agora oficial. A Federação Portuguesa de Futebol anunciou uma parceria com a AVA CR7, empresa associada a Cristiano Ronaldo, que passa a ser Recovery Partner das Seleções Nacionais até ao final de 2026.
Segundo a FPF, o acordo prevê o fornecimento de equipamentos de recuperação física de última geração, utilizados por atletas de topo, incluindo o próprio capitão da Seleção Nacional. Equipamentos esses que passam agora a apoiar os jogadores durante os períodos em que estão ao serviço das seleções.
E é aqui que começa o problema.
Não está em causa o valor desportivo de Cristiano Ronaldo, nem a sua dimensão enquanto marca global. Está em causa algo bem mais simples e mais grave. O conflito de interesses. Um jogador em funções, capitão da Seleção, a ganhar dinheiro como poucos na história do desporto, passa a ter uma empresa sua associada a uma instituição de utilidade pública, sem qualquer escrutínio público conhecido, sem concurso e sem debate.
A Federação Portuguesa de Futebol não é uma empresa privada qualquer. Gere fundos públicos, representa o país e deve obedecer a princípios de transparência e independência. A partir do momento em que um jogador ativo passa a ser parceiro comercial direto da entidade que o convoca, escolhe e promove, a linha ética fica perigosamente borrada.
A pergunta impõe-se. Onde acaba o atleta e começa o negócio?
E a seguir, o que vem? Produtos de eletroestimulação duvidosos, suplementos milagrosos ou gadgets de marketing travestidos de ciência? Porque nome e estatuto não substituem critérios, nem apagam a necessidade de regras claras.
Não basta ser Cristiano Ronaldo. No futebol, como em qualquer área séria, a ética não pode ser opcional.


